Croton antisyphiliticus Mart.

Pé-de-perdiz, canela de perdiz e erva curraleira.

Família 
Informações gerais 

Espécie nativa, mas não endêmica do Brasil. Ocorre principalmente nos estados de Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Na região Centro-Oeste, principalmente, é comum a comercialização desta espécie em feiras livres na forma de “garrafadas”. Suas principais indicações são: antibacteriana cutânea, anti-inflamatória, antisséptica, cicatrizante, antitumoral, antioxidante e fotoprotetora[1,2,3].

Referências informações gerais
1 - PEREIRA, A. M. S. et al. Formulário Fitoterápico da Farmácia da Natureza. 2 ed. São Paulo: Bertolucci, 2014, p. 94-96.
2 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 271-273.
3 - CAMILLO, J. (Ed.). Croton antisyphiliticus. In: VIEIRA, R. F. V. et al. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2016. p. 747.
Descrição da espécie 

Subarbusto ou erva de 10 a 30 cm de altura, de hábito ereto e subereto, ramos lenhosos, pilosos, de caule verde fosco a alaranjado, contendo látex hialino; folhas simples, alternas, de 5 a 15 cm de comprimento x 2 a 6 cm de largura, lanceoladas, subcoriáceas, oblongo-lanceoladas, tricomas estrelados em ambas as faces, base e ápice agudos, margem serreadas irregularmente, pecioladas; as flores são unissexuais, dispostas no ápice dos ramos em inflorescências espiciformes; os frutos são do tipo cápsula globosas, estrigosos, com cerca de 5 mm, verde-amarronzado; as sementes são elípticas, testa lisa, de cor castanha, normalmente em número de 3 por fruto[1,2,3].

Referências descrição da espécie
1 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 271.
2 - CAMILLO, J. (Ed.). Croton antisyphiliticus. In: VIEIRA, R. F. V. et al. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2016. p. 747.
3 - SILVA, G. et al. Pequenas plantas do cerrado: Croton antisyphiliticus Mart. Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo: Rettec, 2018, p. 267. Disponível em: http://arquivo.ambiente.sp.gov.br/publicacoes/2018/12/plantaspequenasdoc....  Acesso em: 12 mar. 2017.
Nome popular Local Parte da planta Indicação Modo de preparo Forma de uso Restrição de uso Referências

Anti-inflamatória

Anti-inflamatória
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Parte aérea

Extrato hidroalcoólico: maceração 421 g do material vegetal (seco) em água/etanol à 96% (1:8 p/v). Rendimento: 10,5%. Dose para ensaio: 25 a 200 mg/kg. Frações: hexano (11,18 g), acetato de etila (2,33 g) e água (3,39 g). Dose para ensaio: 10 a 50 mg/kg.

In vivo:

Em camundongos Swiss portadores de pleurisia induzida por carragenina, com posterior análise do fluido da cavidade pleural, para determinar a concentração de leucócitos, exsudato, oxido nítrico, fator de necrose tumoral (TNF-α) e interleucina-17 (IL-17), e a atividade da mieloperoxidase (MPO) e adenosina-desaminase (ADA).

Observou-se que a fração aquosa de C. antisyphiliticus apresenta atividade anti-inflamatória mais potente, dose de 25 mg/kg, enquanto que o extrato hidroalcoólico demonstra efetividade somente na dose de 100 mg/kg.

[ 1 ]

Antibacteriana

Antibacteriana
Parte da planta
Extrato / RDD / Padronização
Modelo de ensaio in vitro / in vivo Conclusão Referências
Raiz

Extrato: 745 g do material vegetal (pó) em 2 L de clorofórmio. Rendimento: 8,93 g.

In vitro:

Em cepas de Escherichia coli e Sthaphylococcus aureus submetidos análise da atividade antibacteriana por ensaio autobiográfico e concentração inibitória mínima (MIC).

 

O extrato clorofórmico das raízes de C. antisyphiliticus apresenta atividade antibacteriana, sendo mais efetivo para cepas de E. coli.

[ 2 ]

Referências bibliográficas

1 - DOS REIS, G. O. et al. Croton antisyphiliticus Mart. attenuates the inflammatory response to carrageenan-induced pleurisy in mice. Inflammopharmacol, v. 22, n. 2, p.115-126, 2014. doi: 10.1007/s10787-013-0184-6
2 - PEREIRA, S. et al. An ent-kaurane-type diterpene in Croton antisyphiliticus Mart. Molecules, v. 17, n. 8, p.8851-8858, 2012. doi: 10.3390/molecules17088851

Farmácia da Natureza
[ 1 ]

Fórmula

Tintura

Alcoolatura

Componente

Quantidade

Componente

Quantidade*

Etanol/água 70%

1000 mL

Etanol/água 80%

1000 mL

Planta seca

100 g

Planta fresca

200 g

                                                                  * Após a filtragem ajustar o teor alcoólico da alcoolatura para 70%, com adição de etanol 98%, se necessário. 
Modo de preparo

Tintura: pesar 100 g de planta seca moída e colocar em frasco de vidro âmbar; em seguida adicionar 1000 mL de etanol a 70%, tampar bem o frasco e deixar a planta em maceração por 20 dias, agitando o frasco diariamente. Após esse período, filtrar em papel de filtro e envasar em frasco de vidro âmbar.

Alcoolatura: pesar 200 g de planta fresca, lavar, picar e colocar em frasco de vidro âmbar; em seguida adicionar 1000 mL de etanol a 80%, tampar bem o frasco e deixar a planta em maceração por 20 dias, agitando o frasco diariamente. Após esse período, filtrar em papel de filtro e envasar em frasco de vidro âmbar.

Principais indicações

Infecções bacterianas cutâneas.

Posologia

Uso tópico: na forma de tintura ou de pomada.

Referências bibliográficas

1 - PEREIRA, A. M. S. et al. Formulário Fitoterápico da Farmácia da Natureza. 2 ed. São Paulo: Bertolucci, 2014, p. 94-96.

Dados Químicos
[ 1 , 2 ]
Marcador:
Principais substâncias:

Alcaloides

Diterpenos

ácido ent-kaur-16-en-18-oico.

Fitosteróis

sitosterol, estigmasterol, campesterol e estigmast-4-em-4-ona.

Flavonoides

rutina, isoquercitrina, quercitrina e vitexina.

Óleos essenciais

β-pineno, sabineno, elixeno, β-cariofileno, germacreno D, δ-cadineno e espatulenol.

Proantocianidinas

Triterpenos

lupeol, α e β-amirina.

Referências bibliográficas

1 - CAMILLO, J. (Ed.). Croton antisyphiliticus. In: VIEIRA, R. F. V. et al. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2016. p. 747.
2 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 271-272.

Tipo: Nacional
Tipo de Monografia: Sistema de Farmacovigilância de Plantas Medicinais
Ano de Publicação: 2017
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Advertências: 

suspender o uso se houver alguma reação indesejável.

Contraindicações: 

não há dados na literatura.

Efeitos colaterais e toxicidade: 

as sementes são muito tóxicas e não devem ser utilizadas internamente[1].

Interações medicamentosas: 

não há dados na literatura.

Referências bibliográficas

1 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 272.

Propagação: 

por sementes ou micropropagação. O percentual de germinação é baixo, contudo em condições in vitro a dormência das sementes atinge apenas 0,4% [ 1 ] .

Colheita: 

a parte aérea deve ser coletada, segundo a sabedoria popular, preferencialmente pela manhã, na lua cheia ou nova [ 2 ] .

Problemas & Soluções: 

como a forma de exploração é principalmente extrativista, alguns pesquisadores, esclarecem a necessidade de coletar as raízes (não coletar toda a raiz) após a floração e frutificação, e em períodos chuvosos, com isso facilitaria o processo de rebrota [ 1 ] .

Referências bibliográficas

1 - CAMILLO, J. (Ed.). Croton antisyphiliticus. In: VIEIRA, R. F. V. et al. (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste. Brasília, DF: MMA, 2016. p. 747.
2 - FERRO, D. & PEREIRA, A. M. S. Fitoterapia: Conhecimentos tradicionais e científicos, vol. 1. 1 ed. São Paulo: Bertolucci, 2018, p. 271.

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